Ando há meses a alimentar na minha mente o conceito de “tirania do algoritmo”. Não para uma ação publicitária, mas para justificar o desejo que tenho em apagar o meu perfil de uma determinada rede social ... 
(como se isso fosse necessário)
Quando as redes sociais apareceram, a única coisa que encontrávamos era exatamente aquilo que procurávamos. Aquela pessoa. Aquele lugar. Aquele tópico.
Já hoje, a promessa de que o que procuramos está para aparecer a qualquer momento alimenta um desejo doentio, sem fim. A tirania do algoritmo faz com que não consigamos distinguir o scroll infinito, dum swipe left e isso faz-nos estar horas a fio, a consumir um ruído disfarçado de sinal, intercalado por posts patrocinados e anúncios escolhidos a dedo que em nada contribuem para o nosso bem-estar.
Não pretendo transformar este artigo numa teoria da conspiração, mas existe um controle propositado da nossa atenção e isto não deveria ser uma novidade.
Para George Orwell, a essência do controle é a supressão da liberdade individual e da capacidade de pensar de forma independente e crítica. A isto tudo eu adicionaria “… enquanto acreditamos que somos livres”.
O algoritmo é a versão do Big Brother que nos calhou. Mas a realidade que vivemos é ainda mais subtil. Não precisamos de um olho que nos vigie a todo o momento, basta um feed que nos seduza e o controlo já não acontece pelo medo, mas pelo desejo. Não é a censura explícita que nos condiciona, mas a abundância de distrações que aceitamos de forma voluntária.
O algoritmo é a ferramenta de “algo” que quer a nossa atenção como moeda.
Há um grave problema no algoritmo em si, mas o espaço que escolhemos dar-lhe na nossa atenção é determinante. No fim, a tirania do algoritmo só existirá realmente se abdicarmos da nossa liberdade de escolha e deixarmos o ruído decidir por nós.
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PS: Antes de acabar de escrever este texto, apaguei o perfil da rede social.

fotografia: Andrew Harrer / Bloomberg / Getty Images