Nos anos 80 e 90, e durante muito tempo, todos os sábados de manhã, tivemos um ritual em família - ler o jornal Expresso enquanto tomávamos tranquilamente o pequeno-almoço no café do bairro. 
O meu pai ficava com as atualidades, a minha mãe com a revista, a minha irmã com os passatempos e eu devorava os encartes, direct-mails e publicidade. Não na perspectiva do comprador, mas porque desde cedo descobri que o design gráfico e a publicidade iam ter um papel relevante no meu, não tão longínquo, futuro. 
Naquela altura investia-se a sério neste tipo de comunicação - os encartes - e alguns eram verdadeiras obras de arte gráfica, principalmente os dedicados à cultura, do Centro Cultural de Belém e da Fundação Calouste Gulbenkian. Guardo na memória uma brochura onde contabilizei pelo menos 6 cores (CMYK e 2 cores diretas), 2 gramagens diferentes de papel, verniz UV localizado e encapsulação da capa e contra-capa para aumentar a durabilidade da peça - um mimo! Sem contar com o grafismo e o cuidado fotográfico, mais do que uma peça de comunicação, aquilo era uma autêntica curadoria de bom gosto e elegância visual. Para ser distribuído gratuitamente num jornal. 
Nessa altura também era comum as peças serem assinadas - procurava sempre ou por uma ficha técnica ou por um canto na peça onde apareceria algo como "design:" ou "design por". E lembro-me sobretudo de 3 nomes que poderiam ser encontrados a assinar tais peças: Ricardo Mealha, Henrique Cayatte, designers já com nome na praça, e também os Coyote Designers, um atelier que repartia o seu trabalho entre o design gráfico e a arquitectura (que é feito deles?).
Este texto tem como objectivo expressar que desde esse ponto no tempo vivo fascinado com a comunicação para uma área cultural mais crescida, de nicho, até mesmo snob, à falta de melhor termo, e que nunca consegui trabalhar num projeto dedicado à cultura, ou música, ou teatro, ou ...
Até agora.

Bom, tecnicamente não é um trabalho para o CCB, MNAA, FCG, MAAT ou outra entidade cultural, mas sim para um projeto de agenciamento de músicos, e produção de ciclos de Jazz, entre outros eventos.

A Lessa is More é o meu mais recente projeto de Identidade Visual.
Era isto.